Cyanocorax

Enquanto as gralhas do velho mundo são aves quase todas negras, assim como os corvos(gênero Corvus), as gralhas brasileiras apresentam cores vivas e boa parte das espécies apresenta pelo menos o ventre branco. No Brasil existem seis espécies de gralhas, todas muito bonitas, pertencentes ao gênero Cyanocorax da ordem dos Passeriformes da família Corvidae.

Cyanocorax caeruleus - gralha-azul

A gralha-azul mede cerca de 39 cm de comprimento. De uma coloração geral azul vivo e preta na cabeça, na parte frontal do pescoço e na superior do peito. Machos e fêmeas tem a mesma plumagem e aparência embora as fêmeas em geral sejam menores. As gralhas azuis são aves muito inteligentes só suplantadas pelos psitacídeos. Sua comunicação é bastante complexa consta de pelo menos 14 termos vocais (gritos) bem distintos e significantes. Gregárias, as gralhas azuis formam bandos de 4 a 15 indivíduos hierarquicamente bem organizados, inclusive com divisão de clãs, bandos estes que se mantêm estáveis por até duas gerações.

Varia de rara a localmente comum no interior e nas bordas de florestas e capoeiras arbóreas, principalmente em pinheirais. Porém, não é correta a opinião de que a gralha-azul seja uma ave típica e exclusiva dos pinheirais, pois habita também regiões de Mata Atlântica ou mesmo ilhas florestadas da baía de Paranaguá (litoral paranaense), onde estas árvores não existem. Vive em grupos pequenos, de 6 a 8 indivíduos. Apresenta o hábito de esconder sementes de pinheiro, como meio de guardar comida, esquecendo-se com freqüência de algumas delas. Por isso, acredita-se que a gralha-azul seja importante para a germinação e desenvolvimento do pinheiro-do-paraná.

A gralha-azul é o principal animal disseminador da araucária uma vez que, durante outono, quando as araucárias frutificam, bandos de gralhas laboriosamente estocam os pinhões para deles se alimentar posteriormente. Neste processo, as gralhas azuis encravam fortemente os pinhões no solo ou em troncos caídos no solo, já em processo de putrefação, ou mesmo nas partes aéreas de raízes nas mesmas condições, local propício para a formação de uma nova árvore.

Embora se diga que seu habitat é a floresta de araucárias do sul do Brasil, por força da dieta desta ave que também se alimenta de insetos, frutos e pequenos invertebrados, ela não tem dependência estrita destas florestas e sua área de distribuição abrange desde o sul do Estado do Rio de Janeiro para o sul, até o Estado do Rio Grande do Sul, sendo frequente na Mata atlântica da Serra do Mar.

Cyanocorax cayanus - gralha-da-guiana

A gralha-da-guiana como as demais espécies do gênero Cyanocorax, apresenta-se como um corvo-azul. A denominação cayanus provem de cayana, derivado de Caiena, que é a denominação antiga da Guiana (Francesa). Por isso de seu nome comum ser gralha-da-guiana.

Mede 33 centímetros.

Evita adentar em florestas densas contínuas, preferindo as bordas de matas ralas sobre solos arenosos ou matas secundárias abertas. Deslocam-se em bandos de 12 ou mais indivíduos.

Localmente comum no nordeste da Amazônia até 1100m, com registros no Amapá, Roraima, norte do Pará e arredores de Manaus, capital do Amazonas. Também ocorre nas Guianas e Venezuela.

Cyanocorax chrysops - gralha-picaça

O interessante da denominação científica da gralha-picaça é a discordância!! A palavra chrysops que nomina a espécie significa “cabeça amarela ou dourada”. Onde chryso ou chrysun é amarelo ou dourado e, ops é cabeça. Entretanto, é a barriga da espécie que apresenta colocação amarelada.

Sua coloração é azul ultra marinho, exceto na cabeça, o pescoço anterior e a garganta são negros, branco no peito, barriga e ponta de cauda. As penas negras do píleo formam uma almofada, saliente no occipital como uma bola, destaca-se uma mancha pós ocular e a nuca azul-esbranquiçada reluzente e mais um desenho azul sob o olho e o bigode, íris amarelo-enxofre, barriga e parte terminal da cauda branco-amareladas (ou branco-puro em população amazônica) Possui em média 34 centímetros de comprimento, 17 centímetros de cauda e aspecto delgado. Possui um canto tagarelante, imita vozes de outras aves e mamíferos.

Habita a mata. Têm preferência por locais altos da floresta, e sempre que possível, retiram os pinhões ainda da pinha. Muitas vezes ocorre que no momento em que a gralha bica a pinha para retirar o pinhão, a mesma se desprende e acaba caindo no solo. As gralhas dificilmente descem até o chão para apanhar os pinhões, porém, quando já estão se alimentando de um pinhão e o mesmo cai no solo, elas descem para buscá-lo. Esse fato é possível, graças a excelente visão que elas possuem, onde miram o alvo e chegam com precisão até ele.

Ocorre na Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, no Brasil no estado de Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.

Cyanocorax cristatellus - gralha-do-campo

Na gralha-do-campo, a denominção cristatellus é relativo à crista. C. crsitatellus é o “corvo-azul-de-crista”.

Asas longas e cauda curta. Tem um característico topete frontal alongado. Plumagem azul-escura; parte interior do pescoço e garganta preta; barriga e ponta da cauda brancas. Alcança até 3r cm de comprimento.

Assim como outras gralhas brasileiras apresenta a parte inferior branca e a superior negra e azul. Pode ser confundida com a gralha-picaça (Cyanocorax chrysops), mas enquanto a última apresenta uma crista mais alta na nuca, íris amarela e uma região azul ao redor dos olhos, a gralha-do-campo apresenta um topete mais alto na região próxima ao bico, a íris vermelha e a cabeça inteiramente negra.

Espécie campestre, é comum em áreas de cerrado e trechos de vegetação rala e ensolarada interrompida por campos. Vive em pequenos grupos espalhados, sendo fácil de observar. Canta alto, repetidamente.

Típica da Região Centro-oeste (Goiás e Mato Grosso), está presente também do Piauí, Maranhão e sul do Pará até Minas Gerais e São Paulo. Encontrada ainda no Paraguai e Bolívia.

Cyanocorax cyanomelas - gralha-do-pantanal

Para o entendimento do nome científico da gralha-do-pantanal, depende da junção de seus dois termos. O gênero mantem o mesmo significado, “corvo-azul”. Já para a espécie: cyano é azul e, melas provem de melanos, que significa escuro. Esta ave apresenta uma coloração azul-escuro, “desbotado”, ai do seu nome traduzido “corvo-azul azul-escuro”.

No formato, ela é muito semelhante à famosa gralha-azul do sul do Brasil e à gralha-do-campo de todo o centro-oeste. Ao longe ou sob baixa iluminação (como dentro da mata ciliar) parece toda negra. No entanto, só a cabeça (parte), garganta e peito são negros. O restante do corpo é de um tom violeta forte, passando por uma área acinzentada escura. Bico forte, negro.

Cruzam áreas abertas e rios com facilidade. O grupo atravessa aos poucos, indo uma ou duas por vez. O vôo é único, com batidas de asas em ritmos variados e com a cauda também movimentando-se. A impressão é de que não vai haver força para a travessia, apesar de serem excelentes voadoras. Não sendo perseguidas, acostumam-se com a presença humana e podem ser vistas nas áreas mais arborizadas.

Ocorre nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo

Cyanocorax cyanopogon - gralha-cancã

O nome científico da gralha-cançã significa “corvo-azul-de-garganta-azul”, onde: cyano é azul, corax é corvo e, pogon é garganta. Apesar de tudo, a espécie apresenta a garganta escura, com brilho levemente azulado.

Pássaro de tamanho grande. Possui coloração deslumbrante nas cores branco e preto com linhas azuis que se assemelham com sobrancelha e olheira. Possui um canto alto semelhante a “cancão” e ao cantar levanta a cauda e a crista. Além deste canto “padrão”, possui uma gama variada de outras vocalizações que são utilizadas de acordo com a situação: alerta, chamado, etc.

Como todos as espécies da família Corvidae, é uma ave inteligente, com estratégias de alimentação diversificadas. É hábil no voo acrobático. O cancão é muito curioso e barulhento. Descobre qualquer coisa estranha na mata e avisa a todos. Este comportamento é especialmente notado quando encontram uma cobra, neste momento dão gritos especiais e logo acodem outros companheiros e também outras aves, notadamente sábias e corrupiões, rodeiam-na a certa distância, ou mais geralmente mantêm-se em galhos a pouca altura, quase que em cima da cobra. Todos gritam em algazarra, o que serve como aviso para os homens do campo de que ali tem cobra.

É endêmica do Brasil. Vive na caatinga, cerrado denso e em matas de galeria mais abertas. É considerada a voz da caatinga.

É uma ave típica das zonas semi-áridas do Nordeste do Brasil, porém, por conta do desmatamento, tem-se expandido no Sudeste do país: já encontra-se instalada no Espírito Santo e tem sido avistada no Estado do Rio de Janeiro. E registrada em Minas Gerais e São Paulo.

Cyanocorax heilprini - gralha-de-nuca-azul

Não registro dessa espécie no site

A gralha-de-nuca-azul mede 33 cm de comprimento.

Espécie pouco conhecida, ocupa bordas de florestas e matas ralas sobre solos arenosos ou “caatinga amazônica”, até 250m de altitude.

Vive no extremo noroeste do estado do Amazonas, na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela.

Cyanocorax violaceus - gralha-violácea

A gralha-violácea mede 37 cm de comprimento. Vive em bandos de até 12 indivíduos que podem voar de uma ilha fluvial para outra, deslocando-se em voo em fila indiana como estratégia defensiva contra predadores.

Ocorre em matas de várzea, nas bordas e clareiras, nas margens de rios e lagos e nas matas ripárias em ilhas fluviais dominadas por embaúbas, mas evita matas de terra firme.

Ocorre nos estados do Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima.

Referências